Dirigir melhor

Olá Pessoal,

Este artigo da Dra. Patricia Carrington tem implicações de grande alcance.

Eu diria, apesar de seu foco estar em uma aplicação restrita – aprender a dirigir. No entanto, a mesma abordagem que é utilizada para a habilidade de dirigir, pode também ser utilizada para a melhoria de desempenho nos esportes, na música e em outras habilidades. As utilizações são infinitas e a beleza da coisa é que você pode usar para reforçar uma determinada habilidade e TER FEEDBACK INSTANTÂNEO quanto a seu progresso.

Isto é evidente para todos, desde uma cantora alcançar uma nota mais alta a um tenista melhorar sua jogada. Pode ser utilizada por todos os treinadores de equipes esportivas, desde as mais discretas até as mais destacadas.

Pat usa esta técnica elegantemente, um fato que ficará evidente quando ela revela para você não apenas o uso de EFT para melhoria das habilidades de dirigir, mas também alguns dos desafios que podem surgir quando se aplica EFT para um parente.

Abraços, Gary


Por Dra.  Patricia Carrington

 

Eu sempre me pergunto como a EFT pode ser utilizada melhor num processo educacional. Alem de sua aplicação obvia na redução da ansiedade nos estudantes e com isso melhorar seu desempenho escolar, sempre me pareceu que poderia haver outras formas de aplicar a EFT diretamente no processo de aprendizagem, que ainda não tenham sido exploradas.

Recentemente eu tive uma oportunidade interessante para testar este conceito em minha sobrinha, Daisy Carrington, que acabava de se formar na faculdade e ganhara como presente de formatura, um carro compacto usado com cambio manual. Ela havia feito aulas e também o exame de motorista usando carros com cambio automático. E ela estava muito insegura quando começou a dirigir seu novo carro em situações reais de transito.

Como ela planejava morar e trabalhar numa região onde teria que dirigir longas distâncias, toda sua família havia tentado ajudá-la a ganhar confiança ao dirigir aquele carro.

Andando com ela, no entanto, eu logo descobri que ela ainda estava ansiosa quando dirigia e isso dificultava a ela adquirir a desenvoltura necessária para uma direção realmente segura. Foi nesse ponto que eu sugeri e usei EFT para ajudá-la com aquele problema.

Minha experiência ilustra varias coisas:

* É perfeitamente possível usar EFT “in loco” para facilitar o aprendizado como no caso de dirigir um carro.

* Pode ser necessário lidar com dificuldades encontradas avaliando adequadamente o papel desempenhado pela EFT para os resultados obtidos quando o efito Apex (a tendência de diminuir ou ignorar o impacto da EFT nos resultados) estiver presente na pessoa sendo tratada.
* Existe um desafio na aplicação da EFT para um parente, principalmente se, como neste caso, ela não reconhece muitos dos problemas que são evidentes para outros no tocante a suas habilidades na direção.

Eu gostaria de comentar primeiro o desafio de fazer EFT com parentes, porque muitos de vocês usam ou irão usar EFT com seus familiares ou amigos próximos.

Existe uma grande diferença entre atender um cliente que vem a procura de suas habilidades profissionais e então você sugerir o uso de EFT para aquele problema, e ter que “vender” a aplicação da EFT para um parente ou amigo, especialmente quando sua ajuda não é solicitada.

Numa situação profissional, você e seu cliente entram num acordo. A pessoa quer ficar menos ansiosa ou se livrar de algum sintoma que esteja incomodando, ou melhorar sua performance, sua autoconfiança, ou qualquer outra coisa. Por causa disso, aquela pessoa concorda em cooperar com você e fazer o que for necessário (inclusive EFT) para obter os resultados que desejam.

No entanto, este não é bem o caso quando um parente ou amigo ou alguém próximo de nós, com quem planejamos usar EFT. Aqui pode ser necessário sugerir o procedimento do nada, por assim dizer, e talvez convencer a pessoa de que é necessário fazer o procedimento, para um problema para o qual eles mesmos talvez nem tenham consciência.

No meu caso, tendo andado com Daisy na direção nos estágios iniciais de sua experiência na estrada, eu fiquei preocupada com sua segurança e por isso ignorei minha reticência habitual em sugerir EFT quando a pessoa não tenha acenado para sua necessidade. Era evidente para mim que ela estava passando por um bocado de nervosismo enquanto dirigia e seu manejo do volante era muito irregular. Senti sua necessidade para prevenir acidentes futuros. Ela deveria estar mais à vontade e habilidosa na direção.

Eu então sugeri a ela que fizéssemos EFT para dirigir melhor. Daisy é bastante familiar a EFT. Na verdade, ela desenhou muito bem os pontos de EFT para meu vídeo para iniciantes. Mas eu pude sentir uma relutância nela para fazer a técnica para dirigir melhor, porque ela não havia percebido dificuldade de dirigir — somente os outros que estavam no carro sentiam. Esta era uma situação um tanto embaraçosa.

No entanto, uma vez que Daisy sabia que logo teria que dirigir sozinha sem mais ninguém no carro (algo que ela ainda não havia feito) e sabia de sua ansiedade com relação a isso, ela concordou em fazer EFT sobre seu medo de causar um acidente.

A frase de preparação que formulamos para essa questão foi:

“Embora eu esteja com medo de causar um acidente, eu escolho ir devagar e tomar uma decisão segura”

Nós trabalhamos juntas nesta escolha em particular. Ela não sabia qual seria uma alternativa viável para seu medo e por isso eu tive que ajudá-la nesse escolha.
Você irá notar que a palavra “segura” foi usada nesta frase de preparação e em todas as outras onde eu sugeri que ela usasse para o problema de direção. Isso porque eu acho extremamente importante quando estiver ajudando alguém a aprimorar uma habilidade que envolve o fator segurança, que ela seja incluída na frase de preparação.
Parece-me insensato encorajar alguém a simplesmente se aceitar se a pessoa se sente ansiosa nos cruzamentos numa estrada, por exemplo, ou insuficiente pedir a ela que esteja calma e confiante, apesar da ansiedade. Às vezes, a confiança pode ser mal-aplicada, assim como a auto-aceitação, mas a segurança é segurança, e eu senti que esse seria nosso objetivo principal, um item que teria que ser enfatizado em nosso trabalho de EFT.

Daisy trabalhou essa questão e quando ela reduziu a intensidade de 8 para menos de 2 (numa escala de 0 a 10), ela então identificou um outro aspecto desse problema que precisou ser trabalhado. Ela disse que ficava extremamente perturbada quando outros motoristas na estrada ficavam impacientes ou irritados com ela.

Nós mudamos a frase de preparação e fizemos nova medição de 0 a 10 para este aspecto. A intensidade encontrada inicialmente foi 8. A nova frase de preparação ficou assim:

“Embora eu esteja com medo de causar acidente, eu escolho ir devagar e com segurança; não importa o que os outros possam pensar”.

Esta frase foi extremamente útil para ela. Ela se sentiu bem relaxada mesmo quando eu testei fazendo-a descrever vividamente outros motoristas buzinando impacientemente para ela ou gritando e até xingando. Fazendo a EFT, ela não mais se sentiu pressionada e confusa quando imaginou aquela gente ficando impaciente.

Neste ponto surgiu outro problema. Ela ficava insegura quanto à saída certa para ela nas junções das estradas e isso fazia com que ficasse ansiosa e hesitante ao se aproximar delas. Duas frases de preparação que ela formulou foram:

“Embora eu esteja insegura da minha saída certa nas junções das estradas , eu escolho ficar calma e equilibrada para tomar decisões seguras”

e

“Embora eu esteja ansiosa quando os motoristas ficam impacientes comigo, eu escolho ficar calma e equilibrada e saber o que fazer.”

Esta ultima frase passou a ser importante para ela porque saber o que fazer mesmo quando outras pessoas estão impacientes com ela era algo que não estava em seu repertório.

Isto foi tudo que fizemos nesta primeira sessão. Felizmente, nós pudemos testar os resultados imediatamente. Logo que terminamos a sessão, ela e seu pai pegaram a estrada e foram para Nova York a uma distância de 80km. E ela era a motorista.

De acordo com o que seu pai relatou a mim mais tarde, havia uma visível mudança na maneira como Daisy dirigia após sua primeira sessão de EFT. Ela estava, disse, bem mais calma e concentrada na estrada durante toda a viagem e teve uma vez em que ela reduziu a velocidade para sair da estrada e alguém começou a buzinar impacientemente, ela foi até capaz de dizer bem alto “Deixa eles buzinarem”, fez a manobra impassível. Ele notou uma melhoria imediata e definitiva em sua tranqüilidade na estrada.

Mas isto não foi tudo que tivemos que fazer. Antes da nossa próxima sessão, eu estava numa situação desconfortável, andando com Daisy e sua família na direção da casa e notando algo que me deixou realmente preocupada, da minha própria segurança e a dela. Ela tinha uma tendência de frear rápido demais e causar uma parada abrupta e próxima demais (cerca de 90 cm) do carro a sua frente. Essa maneira abrupta de frear não só era desconfortável, mas era como se ela não tivesse o controle devido do carro. A tranqüilidade e a calibração da distância que um motorista experiente tem, algo que é natural para muitos de nós quando dirigimos, estavam ausentes.

Quando eu comentei (da forma mais diplomática que consegui) seu pai disse que ele havia antes aconselhado a ela não frear tão devagar porque ela começava a frear meio quarteirão antes do cruzamento, causando mais congestionamento na estrada. Após seu conselho, ela aparentemente pulou para outro extremo, uma freada brusca que era um tanto preocupante para seus passageiros.

Portanto eu me vi numa posição desconfortável de ser alguém que identificou aquele problema para ela e vai sugerir que ela deveria fazer EFT sobre isso. Não é uma tarefa fácil porque esta não é uma postura normal de uma profissional de EFT. Nós normalmente não acompanhamos nossos clientes e sugerimos o que a pessoa deveria melhorar em sua vida. Mas aqui a questão segurança exigiu que eu abandonasse a postura objetiva e indicasse que sentia a necessidade dela adquirir habilidades para segurança e que a EFT talvez pudesse ajudar nisso.

Rapidamente obtive a concordância de Daisy para trabalhar nisso e escolhemos um local para conduzir aula real de direção assistida por EFT. Nós escolhemos um estacionamento para sua prática. Era um local onde os carros entravam e saíam em intervalos mas não em alta velocidade e onde havia algum espaço aberto para a prática.

Antes de começar a EFT, eu falei para ela sobre o que eu considero ser a forma ideal de frear carros, assumindo aqui o papel de professora. Eu considero isto uma importante observação porque eu descobri ao fazer isto que uma habilidade como a de dirigir um carro pode ser ensinada usando EFT como um importante complemento ao treinamento convencional e que isto pode trazer alguns resultados extraordinários.

Eu falei para Daisy em termos atraentes, como é fácil e gostoso ser capaz de parar o carro praticamente sem esforço e com tanta tranqüilidade que a parada fica quase imperceptível. Embora ela não pudesse entender bem o que eu estava dizendo, por nunca ter tido essa experiência, a idéia agradou e assim formulamos a seguinte frase:

“Embora eu consiga parar direito, escolho parar tão suavemente que nem vou perceber que estou parando.”

Observe a inserção da frase “Embora eu consiga parar direito” na preparação. Isto permitiu a Daisy reconhecer seu próprio progresso em ser capaz de frear (importante para ela) enquanto ao mesmo tempo ela estava se preparando para dar mais um passo adiante adquirindo nova maestria neste processo.

Não pedi para ela fazer a pontuação 0-10 porque não havia sido identificada nenhuma ansiedade no caso. Era um trabalho de aprimoramento. Creio que esta observação é importante porque ao usar EFT in loco no ensino, a avaliação 0-10 normalmente é desnecessária uma vez que podemos fazer um teste objetivo imediatamente apos cada rodada — a pessoa está no carro (ou seja lá onde for) e pode tentar fazer o que está sendo trabalhado. Existe melhor avaliação do que através de uma demonstração na prática, numa situação real?

Portanto nós testamos sistematicamente os efeitos da EFT após cada 3 rodadas (o método das Escolhas). Eu pedia para ela dirigir para a área deserta do estacionamento e frear num ponto determinado. Por exemplo, eu sugeri “Enquanto você dirige ali, pare o carro antes de chegar na área verde a sua direita.” ou “Antes de alcançar o carro vermelho estacionado perto do clube.”, etc.

Ela seguiu minhas instruções e devo admitir que eu estava admirada, após fazer apenas 3 rodadas rápidas de EFT (forma simplificada de EFT), durante as quais nós instalamos a nova atitude positiva de parar de forma imperceptível.
Daisy, que nunca havia pensado que tinha problemas com sua maneira de frear, mas que simplesmente tomou minhas palavras como sendo verdadeiras quando disse que havia um problema, agora dirigia seu carro de uma forma completamente diferente. Eu observei enquanto ela parava o carro suavemente com perfeito controle e nenhuma freada brusca — sua freada era uniforme.

Uma outra coisa interessante era o fato de Daisy não ter notado nenhuma diferença em sua maneira de dirigir apos ter feito EFT. Ela não havia notado o problema na frenagem antes e agora não percebia a diferença na sua maneira de dirigir, mas estava muito claro, um comportamento aparentemente aprendido num nível subliminar.

A mudança em sua coordenação motora visual enquanto dirigia estava tão rápida e completa que era evidente para mim imediatamente após as primeiras 3 rodadas de EFT — mas até hoje isso não é visível para ela, embora aparentemente a mudança tenha sido permanente.

Só para ter certeza de que este novo comportamento seria duradouro, eu fiz com que ela fizesse mais algumas rodadas, usando as mesmas frases, em seguida fizemos um novo teste. Nós alternamos esta seqüência três vezes, a EFT seguida de teste. Logo chegara a hora de o resto da família entrar no carro para ela dirigir e nos levar de volta para casa.

A viagem de volta me deu ampla oportunidade para observar os efeitos do trabalho que acabávamos de fazer. Enquanto viajávamos, senti-me como se eu estivesse andando com uma motorista completamente diferente. Eu a vi parar nos cruzamentos, ou atrás de outros carros, ou para deixar os pedestres atravessarem a estrada, ou qualquer coisa que fosse preciso, com tanta facilidade e suavidade que era um prazer ser um passageiro agora.

Particularmente importante foi o fato de seu pai ter falado que Daisy tem melhorado na direção visivelmente, desde então. Segundo ele, existe uma clara tranqüilidade que não estava lá antes e uma segurança, embora evidentemente ela tenha um caminho a percorrer em termos de domínio da estrada, algo que só pode vir com experiência.

Daisy não fez mais nenhuma EFT para este problema, porque ela não sente nenhuma necessidade, nem ninguém na família.

A partir desta experiência com o “treinamento de motorista”, parece-me que um grande potencial de utilização da EFT pode estar no uso “in loco” para fins educacionais. Isto é, sua utilização na hora, enquanto o processo de ensino está em curso, como ferramenta de auxilio.

Imagine as implicações educacionais, se um plano desse tipo viesse a ser implementada em situações normais de ensino.

Consegue imaginar um professor parando no meio de uma aula de matemática, por exemplo, para que a criança fizesse EFT para sua ansiedade sobre dificuldades específicas com matemática, na hora, ali mesmo e, em seguida, continuar com sua aula?

Consegue imaginar um professor parar durante uma aula para que seus alunos façam EFT sobre sua ansiedade de uma prova que acabara de ser anunciada – e, depois, prosseguir com a aula?

Consegue imaginar um treinador esportivo parando, para seus alunos fazerem EFT, a fim de melhorar um movimento específico de salto, para em seguida, continuar com seus exercícios?

Estas são apenas algumas de muitas possíveis aplicações educacionais que vêm a minha mente. EFT pode ser capaz de contribuir poderosamente para a eficiência e a eficácia da educação, e espero que todos nós exploremos esta possibilidade e trocar nossas experiências com ela. Estou ansiosa para ouvir sobre suas descobertas ao experimentar esta abordagem para o ensino das competências.

Tudo de bom

Pat Carrington

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