Padrões de condicionamento

As correntes invisíveis…

Quem nunca fez algo de que se arrependeu? Ou que depois de feito exclamasse: “desculpe, não pensei no que fiz”…

Este tipo de atitude, impulsiva e geralmente impensada, é um exemplo clássico do que são nossos padrões de condicionamento: nossos modelos mais profundos de ação e inter-relação com o mundo. Pra entender como e por que isso acontece, precisamos conhecer o mecanismo dual de nossas mentes: a consciente e a inconsciente.

Associamos a primeira à nossa identidade pessoal – é a mente pensante, racional. É a mente consciente quem seleciona, organiza e julga conteúdos, mas ao contrário do que se pode pensar, nem sempre é a responsável pela tomada de decisões.

A mente subconsciente opera sem a supervisão da consciente – é a “mente automática”, onde armazenamos nossas percepções, memórias e crenças, dando origem a nossos programas mentais. Atrás de todos os nossos comportamentos estão motivações ocultas que brotam desta área.

Se as crenças da mente subconsciente conflitarem com os desejos da mente consciente, quem ganhará? A resposta é clara e direta: a mente subconsciente, pois ela é uma processadora de informações um milhão de vezes mais poderosa do que a outra e, como os neurocientistas revelam, opera em torno de 95% do tempo. Isso significa que 95% do nosso dia, nossos pensamentos, ações e impulsos são originados pelo inconsciente. Quem nunca ouviu um fumante inveterado dizer que “nem sequer queria aquele cigarro” que acabou de fumar, ou um gordinho afirmar que “não tinha fome ao comer aquele pedaço de torta”?

É esta “divisão mental” que nos provoca indecisões e dificuldade para realizar algo: quero fazer isso, mas… – atrás do “mas” encontramos todas as justificativas criadas por nosso inconsciente para permanecermos onde estamos…

Até poucos anos atrás acreditava-se que, se a mente consciente se tornasse cônscia de nossos problemas, automaticamente corrigiria quaisquer programas negativos armazenados na mente subconsciente. Mas isso não funciona assim, porque não existe uma “entidade” na mente subconsciente que “ouça” o que a mente consciente quer; elas funcionam de maneira distinta e independente. A mente consciente permite a entrada de conteúdos que a subconsciente grava, gerando hábitos e comportamentos (os fundamentais, na maioria, são armazenados antes dos seis anos de idade). Ao se apertar um botão, o programa é apenas repetido conforme foi aprendido, gerando gatilhos emocionais que nos fazem tomar atitudes automáticas, ou seja, acionando nossos padrões de repetição.

Padronizar não é propriamente um problema…

Esta é uma forma de aprendizado rápido e até bem funcional: já imaginou se cada carro que você dirige fosse diferente? Ou se todos os trincos e fechaduras de portas tivessem seu próprio funcionamento? Ou ainda se cada pessoa tivesse sua própria linguagem falada e escrita? Nossa vida se tornaria um eterno quebra-cabeça!

O problema começa quando nos comportamos como se tudo se limitasse ao abrir e fechar de uma porta! Começamos então a generalizar comportamentos, pessoas e eventos como se todos fossem iguais, vivemos como se tudo fosse uma eterna repetição de estados e eventos exteriores, não damos espaço ao novo. Ao nível subconsciente, vivemos sempre na expectativa de que o passado se repetirá negativamente, e efetivamente nos comportamos de tal maneira. E é claro, quem procura acha. Tive uma aluna que em certa ocasião me relatou: depois que decidi comprar um corsa vermelho, para todos os lados que olho eu encontro um! – como nossa mente é focal, ela sempre encontrará aquele conteúdo que está buscando…

Como vivemos todos dentro do inconsciente coletivo, como tão sabiamente descreveu Jung, estamos todos dentro do campo de informação de nossos semelhantes, buscando pessoas e situações que são emocionalmente compatíveis com nossos padrões pré-estabelecidos. Por isso, algumas pessoas parecem ter o toque de Midas e encontrar sempre bons parceiros e negócios, enquanto outros têm o talento para perder dinheiro. Algumas mulheres estão cansadas de cafajestes, enquanto para outras o príncipe encantado bate à porta. Algumas pessoas passam pela vida com leveza, enquanto outras parecem atrair raios e tempestades onde quer que se encontrem…

Como se percebe, nossas situações externas são na realidade originadas pelo nosso interior, o verdadeiro ímã que atrai e repete nossos padrões e crenças.  É dentro de você que seu mundo se origina, a vida apenas reflete seu íntimo (incluindo sua sombra). Se você trata a vida como sua inimiga, é desta forma que ela lhe tratará. Caso contrário, se você encontra a beleza e a gratidão em tudo, ela espelhará e devolverá sempre o mesmo…

É possível remodelar nossos padrões e pensamentos mais profundos?

Heráclito, um filósofo da Grécia antiga, tem uma frase que há séculos descreve nossa natureza: “Você não pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois a água nova não pára de fluir”. Esta é outra maneira de dizer: vivemos num mundo de impermanência, nunca respiramos o mesmo ar, nem vivemos a mesma situação duas vezes. Tudo é uma questão de interpretação.

Todo sofrimento – seja ele puramente emocional ou em forma de uma doença – tem origem em crenças e repetições de padrões negativos. É por este motivo que algumas pessoas têm enfermidades, como um câncer, reincidentes apesar dos tratamentos (porque a causa verdadeira permanece), enquanto outras passam pelo fenômeno de remissão espontânea apenas fazendo alterações em seus hábitos de vida. A explicação é simples: se os condicionamentos negativos levam ao desequilíbrio, qualquer alteração ajustará a resposta de nosso sistema corpo x mente de forma mais construtiva.

Somos criaturas de hábitos, e o hábito faz o monge. Faça exercícios, alimente-se de forma saudável, sorria mais, aprenda a meditar e limpe sua negatividade. Abra seu coração para a vida, antes que um cardiologista faça por você!

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Somos seres essencialmente espirituais, vivendo uma experiência material. E nessa extraordinária jornada, tudo vale a pena ser vivido!...
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