O apego ao sofrimento

Apego: um nome tão pequeno pra algo tão complicado – e pegajoso!

O poeta Virgílio menciona que “mesmo que tivéssemos língua e palato de aço, não conseguiríamos enumerar cabalmente todos os nossos defeitos”. Mas não tenho dúvidas de que dentre todos, talvez este seja o mais persistente e, ao mesmo tempo, o mais transparente!

Já dizia Buda que o apego é a origem do sofrimento. E ele tem razão – afinal, a maioria sequer sabe que ele existe; e quando descobre, ainda fica sabendo que ele está em tudo!

Quando sentimos raiva ou nos entristecemos, percebemos facilmente que algo está errado porque nosso corpo não nos engana: seja por uma dor de cabeça ou um mal estar, ele sempre nos avisa. Mas o apego costuma ser tão sutil e comum que ignoramos os sinais. Não é que o corpo não avise, mas tapamos os olhos com a peneira pra manter tudo como está.

Por estarmos ainda inseridos no ambiente do inconsciente coletivo, por mais contraditório que possa parecer, achamos que é normal sentir-se bem com ele – e isso é uma doença! Como pode alguém sentir-se bem com algo que lhe faz mal?

Não consegue abandonar seus vícios (inclusive os emocionais)?

Você tem dificuldade de se alimentar melhor e recuperar seu peso ou vitalidade?

Sente saudades ou tem necessidade de manter por perto pessoas que nos são queridas?

Quando encontramos justificativas pra ficar onde estamos e continuar do mesmo jeito, comendo as mesmas bobagens, assistindo a mesma programação deprimente, mantendo relacionamentos desgastados ou falidos, percebendo o mundo da mesma forma e mantendo nossa mesma envelhecida percepção do “eu”, aí encontramos apego. Esta emoção se confunde com quem você é – e faz você pensar que é ele! É uma criatura que se passa pelo criador…

O apego é o ponto chave que nos impede de largar o velho e partir para o novo e, portanto, é um obstáculo para qualquer mudança verdadeira.

Agora preste bastante atenção: se você está buscando algo melhor em sua vida, gostaria de uma transformação mas por algum motivo desconhecido não consegue, sinto dizer que você está contaminado – o mosquito da inconsciência pegou você! rsrs… Por trás de sua aparente dificuldade existe algo mais profundo, uma variação deste mal chamada “apego ao sofrimento” – a raiz da procrastinação e de outros tantos hábitos destrutivos.

Vivemos profundamente identificados com este sentimento, e novamente acreditamos que é normal viver desta maneira. Essa identificação é a principal responsável pela criação de padrões e condicionamentos que somente são corrigidos através de esforços conscientes.

Vou dar um exemplo simples: alguns dias após uma sessão de EFT, uma cliente me escreve dizendo que está sentindo uma estranha sensação de vazio ao eliminar a dor pelo rompimento de um relacionamento. Respondi pra ela: realmente pode ser estranho e novo pra você, mas permita que o tempo e a consciência sobre o ocorrido cresçam e tomem conta deste espaço. Você vai perceber rapidamente que o vazio é causado pela ausência de dor, algo que em geral as pessoas não estão acostumadas. Sentir-se bem é uma grande novidade pra você!

Recebo sempre muitos emails de pessoas se queixando de suas dores e sofrimentos e perguntando se posso ajuda-las. Mesmo com resposta positiva, apenas uma pequena parte inicia um trabalho de transformação interna. Muitos acabam escrevendo meses depois relatando as mesmas situações e mesmo assim nem todos procuram ajuda de forma eficiente – “já li sobre EFT, conheço você, tive indicação de uma pessoa super legal, sei que EFT pode me ajudar… mas não sei por que ainda não marquei uma sessão com você...”.

Apego a dor também cria o medo do novo, do desconhecido. Mudar significa empoderar-se de sua vida e realizar escolhas dos quais teremos que assumir total responsabilidade – e isso significa eliminar o papel de vítima.

A prática mostra, infelizmente, que as pessoas estão dispostas a tudo, menos a abrir mão de sua própria dor! Estão tão identificadas com seus papéis de vítimas do mundo que a simples possibilidade de uma mudança parece assustadora…

Quem pode dar fim a este ciclo? Apenas você.

O que pode ajudar? Meditação, trabalhos terapêuticos e um intenso desejo de mudança para melhor…

Existe algum remédio pra isso? Sim, mas é necessário um esforço: sacrificar seu próprio sofrimento, abrir mão de conceitos e sentimentalismos. É a única forma de evitar que a dor bata novamente em nossa porta…

Quanto mais se posterga esta decisão, quanto mais evitamos este confronto com aquilo que pensamos ser e nos decidimos a limpar nossa bagunça interna, mais dor e sofrimento iremos colher, porque este é o único mecanismo que irá despertar em nós a força que nos fará acordar para a realidade da vida.

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Somos seres essencialmente espirituais, vivendo uma experiência material. E nessa extraordinária jornada, tudo vale a pena ser vivido!...
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4 thoughts on “O apego ao sofrimento

  1. Olá,

    Me identifiquei totalmente com esse artigo de apego ao sofrimento e digo que vivo num círculo vicioso de sofrimento há muitos anos, tento sair dele e não consigo. Preciso de ajuda, não quero passar o resto da minha vida sofrendo.

    Como faço pra marcar uma consulta?? Existe algum material gratuito?

    Aguardo retorno
    Obrigada
    Amanda

    1. Olá Amanda, basta inscrever-se em nossa newsletter para receber a apostila gratuita.
      Além disso, podemos atender vc para acelerar seu progresso (um terapeuta experiente sempre consegue resultados mais rápidos).
      Se precisar, basta escrever novamente.
      Um abraço

  2. Tenho uma dúvida. É possível sofrer sem perceber? Eu costumo fugir, sei lá, costumo não sofrer com um fim de um relacionamento ou qualquer coisa, em compensação, como loucamente, tenho sonhos todas as noites sobre isso, acredito que tenho até sintomas físicos, eu acho…

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