Identidade e valores

Olá pessoal!

Há cerca de um mês atrás, recebi um e-mail do qual transcrevo um pequeno trecho:

“ …creio que depois de muito pensar sobre vários assuntos acho que o problema central é realmente eu conseguir perdoar a mim mesma. Basicamente não consigo me perdoar por não ter uma grande carreira na minha área de atuação. Não consigo me perdoar por não ganhar um salário polpudo. Não consigo me perdoar por não ser famosa. Não consigo me perdoar por não ter uma grande quantidade de dinheiro para ajudar toda a família…”

Respondi a pessoa que me escreveu de forma bastante franca e sucinta, mas depois de refletir um pouco mais percebi que esta era uma excelente oportunidade de ampliar um tema tão recorrente – e como cinco linhas de texto conseguiram envolver questões tão enraizadas em nosso modo de vida dito normal. Com base nisto, resolvi escrever uma série de artigos abrangendo alguns dos pontos mais relevantes: perdão e autoperdão, sucesso e fracasso, e a necessidade de ter uma grande quantidade dinheiro, entre outros…

Mas fica o alerta: conhecer a verdade sobre quem somos pode causar desilusão – que às vezes dói, mas é bastante positiva: “conheça a verdade e ela vos libertará”. Significa que o véu que até agora encobria seus olhos está desmoronando e mais espaço interior (fundamental para a entrada de Luz) está sendo criado. É como quando você se propõe a limpar suas gavetas e se dá conta de que passou os últimos anos guardando papéis inúteis como se fossem seu maior tesouro. Caso você rejeite o assunto… bem… sempre é possível tomar a pílula vermelha e continuar dormindo!

Mas antes de comentar cada um deles em separado, alguns conceitos precisam ser compreendidos

Senso de identidade

Identidade é quem você pensa que é, o que você acredita a seu respeito. Num primeiro momento algumas pessoas respondem a uma pergunta desta como “sou médico, filho de fulano, estudei em tal lugar”… Eis aí a primeira falha: confundir seu passado e sua história pessoal com quem nós somos. Isso dá margem a interpretações ainda mais equivocadas como “sou doente”, “sou alcoólatra”, ou simplesmente “sou um fracasso”. Parece a mesma coisa, mas num nível um pouco mais profundo, é semelhante a confundir um álbum de fotografias com a própria pessoa!

Este tipo de pensamento encontrou embasamento contemporâneo na famosa frase do filósofo francês do século XVII, René Descartes, que sintetizou a percepção de identidade dominante no conhecimento ocidental: “Penso, logo existo”. Infelizmente, esta inverdade – embora mais antiga do que o citado filósofo – dá margem a uma das maiores falhas em termos de autoconhecimento: a ideia de que você é aquilo que pensa; algo que nos leva a identificar e equivaler nossa consciência, nosso SER verdadeiro, ao pensamento. Passamos a considerar uma parte (o pensamento) como o todo (o ser), algo como se você separasse um pedaço de seu corpo e, apontando para ele, dissesse “isso sou eu” sem se dar conta de que a entidade que aponta está do lado de fora – e observando – o restante.

Parece demais pra você? Então vamos à prática! Faça um teste: feche os olhos, respire lenta e profundamente por três vezes e observe seus pensamentos por alguns minutos… apenas observe, sem julgar ou condenar, observe como se eles fossem algo alheio… Em poucos instantes, as conclusões são surpreendentes:

1 – não consigo parar de pensar!, e

2 – se posso observar meus pensamentos (que até poucos instantes atrás julgava que eram “eu”), então quem observa?

Este experimento simples conduz a conclusões significativas e ao mesmo tempo vitais:

Pensar não é uma escolha, é uma compulsão que acontece sem nossa interferência assim como a digestão ou a respiração; simplesmente existe sem controle e de forma involuntária embora não precise ser assim, apenas nos acostumamos a agir assim. Em termos espirituais, chamamos isto de ego ou inconsciência – simplificadamente, a mente não observada que nos domina sem sequer sabermos disso. O pensamento transformou-se em uma doença, um desequilíbrio, o gerador de neuroses e sofrimentos. E o que é mais grave: você acredita que é o pensamento, identificou-se com ele a ponto de esquecer-se de si mesmo e de sua verdadeira natureza; passou a ver-se como o instrumento ao invés daquele que executa a obra, a criatura apossou-se do criador…

O exercício prático anterior também permite experimentar o primeiro vislumbre da consciência, aquela presença calma, alerta e silenciosa que observa, sem interferir ou rotular. Sua sabedoria interior, sua atenção plena, aquilo que verdadeiramente É VOCÊ!

Valores

Ao nos confundirmos com o instrumento, nossos valores sofrem uma transformação. Nosso sentido de quem somos passa a ser determinado pelo pensamento, próprio ou apenas captado do ambiente em que vivemos. Você acredita em tudo que ouve (dentro ou fora de sua mente), e cria um senso de quem você é e qual sua importância através destes pensamentos, opiniões e pontos de vista originários do inconsciente coletivo (a família, uma cidade, um país). E é muito fácil criar e disseminar falsos valores; a mídia explora este conceito ao máximo: há alguns anos atrás, mulheres de seios pequenos eram valorizadas. Hoje, quem não tem silicone é careta, feia, fora de moda ou leva qualquer outro adjetivo tolo. Outro exemplo observei esta semana no facebook: alguém resolveu trocar sua foto de perfil por uma foto de infância. Foi o que bastou para que outras tantas pessoas fizessem a mesma coisa. Pode ser apenas uma brincadeira, mas mostra como é simples movimentar mentes inconscientes: macaco vê, macaco faz sem analisar…

E quais são os principais valores hoje? Riqueza, sucesso, um corpo “perfeito” e destacar-se no meio em que vive. Como o sistema financeiro, que é a veia principal da sociedade em que vivemos, precisa do consumo constante pra funcionar, induz as pessoas a darem mais importância ao que você possui do que a quem você é de verdade; e incute a crença de que possuir mais fará você ser mais, e acumulando mais (dinheiro, bens, títulos, relacionamentos, etc.) irá fazer com que você se sinta melhor.

Você pode ser perguntar: com base em quê afirmo de forma tão veemente que as pessoas se sentem vazias? Isso é muito simples, basta observar os resultados: em grande escala as intermináveis ameaça de guerra com que o ocidente convive. Regionalmente consumo desenfreado, desigualdade social e violência generalizada – a solução encontrada pelos excluídos das grandes cidades (diga-se de passagem, a maioria) para conseguir os objetos de desejo tão cultuados pelas elites dominantes – ou simplesmente manifestar sua frustração por não tê-los. Individualmente, surgem stress, ansiedade, depressão, obesidade, doenças de todos os tipos e por fim a eterna sensação de insatisfação… Neuroses de um mundo dominado pelos desejos materiais…

Chegamos agora na chave-mestra que abre todas as possibilidades: qualquer sofrimento físico ou emocional é o resultado inevitável da identificação com o incessante pensamento. Sair desta roda é relativamente simples, mas existe um requisito indispensável: a necessidade de mudar nossa forma de pensar!

Mais no próximo artigo…

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Somos seres essencialmente espirituais, vivendo uma experiência material. E nessa extraordinária jornada, tudo vale a pena ser vivido!...
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10 thoughts on “Identidade e valores

  1. muito interessante. acho que tenho o mesmo problema mas tenho que mudar o meu modo de pensar e agir. sei que não é fácil mudar tão rápido a coisas e sim ter muita força de vontade , disciplina e equilíbrio para poder mudar a nossa vida no todo.

  2. Olá Rafael, como sempre, belo artigo, etc.etc.etc., masssss. eu coloco dois números: EGO- 98% consciência- 2%, com estes números, qualquer esforço é quase utopia, e mesmo tentando com todas as forças manter um rumo no caminho da Luz e do auto-conhecimento, sinto que as forças quase faltam, mas com ensinamentos como os Teus e outros terapeutas, agora em franco descenso, pois vários “tops” estão virando garotos propagandas de “selvagens” marketeiros da internet, em nome de “alavancar o faturamento”, nós vamos tentando nos livrar desta verdadeira “programação” desta e de outras vidas. Vida longa, saúde, sucesso, muita Luz e muita Paz.

    1. Osmar meu amigo, existe um ditado que diz: “Se com 21 marteladas vc quebra uma pedra, não significa que apenas a ultima foi importante. Todas as anteriores contribuiram”. O importante é ter coragem, persistência, paciência e fazer sempre o melhor. Nada é perdido. Sobre os “tops” e marketing concordo plenamente com vc, inclusive já tenho algo a publicar sobre isso, mas fica pra próxima semana. Um abraço!

      1. Rafael caro amigão, acho que uma martelada dessas me “amassou um dedo” e eu fiquei meio “cáustico”, me perdoe, e você tem plena razão, quanto à coragem, persistência e paciência, afinal para isso existem a nossas queridas “ferramentas”, Reiki, EFT, e tantas outras, vamos usá-las e continuar na luta. Vida longa, saúde, sucesso, muita Luz e muita Paz.

  3. excelente . o consumo desenfreado é a eterna busca do indivíduo em entender o significado de sua existência. Ele simplesmente acha que vive para consumir e assim que consegue o seu objeto,parte para a conquista de outro e outro. vive na verdade em eterna insatisfação, tal qual aquela quando não possuía os tais objetos de desejo. rsrs

  4. Oi Rafael! Muito bom o texto,è realmente como somos mesmo,hoje em dia estou melhor graças a EFT mas ainda falta muito! Espero o proximo artigo. Obrigada!

  5. Olha adorei este texto Rafael, e parabenizo você pelo empenho em pesquisar, e ainda repartir com tanta gente inclusive eu.
    Continue porque isso é dom, e dom vem de DEUS. Abraço e Obrigado.

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